domingo, novembro 18, 2007

Coisa de Almada

















A Câmara Municipal de Almada. está a desenvolver o Estudo de Enquadramento Estratégico da Quinta do almaraz, fase preparatória de um futuro plano de pormenor para a área e que abrange A zona de Almaraz, do castelo e do cais do Ginjal.

Há neste estudo algumas ideias com as quais estou de acordo, como seja a de propor a criação de um “centro de interpretação arqueológica assente sobre uma antiga povoação finicia”, exactamente na Quinta do Almaraz, ou transformar o castelo de Almada num hotel, “com apartamentos espalhados pelas ruas antigas”, do núcleo histórico de Almada.

Outras porém, merecem-me as mais sérias reservas, (algumas já referidas em posts anteriores), como seja o caso dos usos propostos para o cais do Ginjal, “núcleos de industria criativa (ateliers de arquitectura, publicidade, design, entre outros), mas também zonas de restauração, comércio, pequenos hotéis, habitação e áreas onde aconteçam regularmente actividades culturais como uma feira de artes”.

Não discuto muitos desses usos, alguns já são ou foram praticados naquele local, o que se estranha é que o estudo não preveja para aquele sítio nenhuma função ligada aos transportes marítimos, função a que o Ginjal desde sempre esteve ligada, quer no transporte de mercadorias para o outro lado do Tejo, quer transportando-as para outros locais do mundo.

Não se percebe pois, como se esquece ou se retira deliberadamente este uso para o qual o local está inequivocamente vocacionado. É bom que quem planeie o território seja capaz de ver para além da conjuntura momentânea que um país atravessa, que não hipoteque o futuro com modas mais ou menos conjunturais, como são estas industrias criativas. Já o novo vereador do urbanismo de Lisboa, o arquitecto Manuel Salgado, avançou com esta ideia para aquela cidade, parece pois que a concorrência vais ser muita.

2 comentários:

Debaixo do Bulcão disse...

Ainda só li o que vcem nos jornais (estou a tentar obter mais informação, pois é um assunto que me interessa muito).

Mas concordo, em termos gerais, com o projecto para o Ginjal: parece-me ser uma visão "revista e melhorada" de outro projecto que se fez nos anos 90.

Já a ideia do "grande teleférico" parece-me um bocado megalómana. E o "aeroparque"... sinceramente, ainda nem entendi muito bem que raio de coisa será essa.

Mas o que me causa mais reservas é, precisamente, a ideia de instalar um hotel no castelo.
Parece-me prematuro avançar para esse tipo de solução. Primeiro seria necessário fazer ali uma intervenção arqueológica para, depois, decidir que utilização dar àquele espaço.

Parece-me que o Castelo já esteve tempo demais na posse de privados, pelo que a CMA devia considerar muito a sério a hipótese de abrir aquele espaço à população. E não me parece que isso se faça com um hotel.

Já a ideia de instalar hotelaria (não "um hotel", note-se) em casas devolutas na zona circundante ao castelo, sim, parece-me outra boa solução.

Cumprimentos

António Vitorino

almada disse...

Também me parece que a população de Almada deve pensar, se realmente quer que o castelo continue fechado ou não á sua entrada naquele espaço, parece-me ser pertinente.

A proposta do teleférico, parece-me ser para o Cristo rei, não sei se será tão megalómana, julgo que importa é frisar a necessidade de uma ligação entre a Arealva e o Cristo rei.

Quanto ao "aeroparque", confesso que nunca ouvi falar, nem tou a ver o que seja.